Discursos da Assembleia de Freguesia de Campanhã

Não tendo sido possível fazer a sessão solene no nosso Auditório, convidamos os representantes dos partidos e movimentos com acento na nossa Assembleia a apresentar os seus discursos desta forma.

 

Discurso da Presidente da Assembleia:

 

Abril,  46 anos de ti e nunca foi tão difícil celebrar-te.

 

Abril, tu que tantos sonhos fizeste realizar, hoje vês-te envolvido num manto de silencio e confinamento que tantos sonhos pareces apagar! Hoje a ditadura é outra, é a ditada por regras de cidadania, de resguardo obrigatório, de isolamento sanitário, de tantas mudanças comportamentais que parecem interromper o ciclo da rebeldia emancipadora de um povo que tu tão bem reanimaste.

 

A guerra é outra, o inimigo agora é invisível, mas o desejo de viver é o mesmo. Abril, tu és português.  Abril, tu és a luz de esperança de que é possível realizar Portugal!

 

Neste contexto de emergência nacional, tu bates-nos à porta, entras com o brilho de um cravo acompanhado pela música do Zeca que aquece a nossa alma para timidamente te celebrar!

 

Abril, Tu hoje és memória que muitos querem apagar, por isso exalta de novo a liberdade que nos ofereceste e reforça os laços e valores lusitanos da Pátria que Camões escreveu.   Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades.

 

À Juventude, dou um cravo, que simboliza a esperança que vai ficar tudo bem. Sei que o tempo é outro, mas tenho consciência que os desafios de hoje são igualmente difíceis de ultrapassar. É, pois, fundamental o reforço da solidariedade comunitária para combater o isolamento humano, promovendo a convivência fraterna, garantindo as liberdades individuais, preservando a responsabilidade comum, que nos torna mais forte e que nos faz vencer.

 

A tarefa é simples? Não, mas também nunca foi! Gritemos bem alto os valores de Abril, lembremos todos os dias sem razão porque para celebrar as coisas boas, não precisamos de motivos maiores do que a Vontade.

 

Viva Campanhã!

Viva Portugal!

Viva o 25 de Abril 1974|

 

Presidente de Assembleia de Freguesia de Campanhã, em 25 de Abril de 2020,

Sandra Santos

 


Discurso do PS                                               

 

Algo tão importante e fundacional como a revolução dos cravos não pode diluir-se nos discursos de circunstância tantas vezes repetidos e, não raro, já gastos.

Creio que celebrar o 25 de Abril deve ser, mais do que uma mera evocação dos acontecimentos passados, algo que aponte caminhos para o futuro. E porquê? Porque o 25 de Abril não foi um fim em si mesmo, mas antes o início de uma nova dinâmica. Claro que havia o objectivo de terminar com um regime ditatorial. Mas havia, sobretudo, a necessidade imperiosa de começar algo novo. 

E a época de excepção que vivemos actualmente, histórica, exige de uma maneira ainda mais vincada uma união entre as instituições públicas e os cidadãos. Exige também uma cooperação comunitária maior.

Duas conquistas particularmente relevantes decorrentes da Revolução de Abril: o Estado Social e o Serviço Nacional de Saúde. Se dúvidas houvesse da importância estrutural de ambas as conquistas, esta época particularmente difícil esbateu-as. 

No que respeita às Assembleias e Juntas de Freguesia, um dos dilemas prementes relaciona-se com a sua pertinência, com as competências que lhe são delegadas e respectiva dotação financeira.

Esta é uma batalha constante que não será ganha meramente pela força da solicitação. Será ganha através da força da acção.

E essa força exige que as Juntas de Freguesia conquistem o respeito em vez de o mendigarem. Exige que se modernizem e que formulem respostas actuais aos problemas actuais.

Campanhã, em particular, sofre do problema estrutural que assenta no facto de estar, desde há muito, condenada à periferia geográfica e à periferia social. Mas melhor e mais produtivo do que queixarmo-nos da escuridão, é acender velas. Lâmpadas, se possível. 

Atrair projectos que revitalizem a zona. Tornar a zona cosmopolita. Tornar Campanhã frequentada por cidadãos do Grande Porto em geral, cidadãos que não têm o costume de frequentar a freguesia. 

Tornar a Acção Social menos assistencialista, mais profiláctica, mais assente na capacitação das pessoas.

Assumir uma vocação cultural, captando ideias e iniciativas da sociedade civil, abrindo as infra-estruturas locais a novas dinâmicas e à criatividade. 

Influir na redefinição urbanística do território campanhense, tão severamente mutilado ao longo dos anos, criando cismas entre a freguesia já de si, como anteriormente referida, afastada da demais cidade.

Coesão social, coesão territorial, cultura, vivência do espaço comunitário, modernidade. Passa por aqui uma Nova Campanhã. Que Campanhã não seja território fértil para Velhos do Restelo nem Velhas Senhoras e que uma Re-Evolução possa chegar, imbuída do espírito que animou o povo naquela manhã de Abril: querer mais; querer melhor.

 

Viva o 25 de Abril!

Viva Campanhã!

Viva Portugal!

 

P’lo Líder de Bancada do PS na Assembleia de Freguesia de Campanhã,

Hugo Nascimento Veloso

 


Discurso do BE

 

A manhã de 25 de Abril de 1974 foi o ponto de viragem para o nosso país, o dia em que a liberdade saiu à rua depois de 48 anos de repressão.  Foi há 46 anos que o país mudou de regime, deixou de ser uma das mais longas ditaduras e passou a ser um Estado de direito democrático. Acabou a guerra colonial, a PIDE foi extinta, foi abolida a censura, os exilados regressaram, foram libertados os presos políticos, puderam formar-se partidos políticos e milhões de pessoas puderam votar, pela primeira vez, em eleições livres. Seguiu-se a constituição de sindicatos e comissões de trabalhadores, a criação do primeiro salário mínimo nacional, o acesso à cultura, o acesso à educação e aos cuidados de saúde a toda a população e muitos milhares de idosos passaram a ter direito a uma pensão de reforma e outras prestações da segurança social.          Hoje, a comemoração desta data tão importante na nossa história, é marcada por uma trágica ocorrência sanitária, com centenas de óbitos. O país e o mundo estão confrontados com uma pandemia, a Covid-19. Nesta situação complexa, que tem exigido à população distanciamento social e confinamento nas residências, o ódio ao 25 de Abril por parte dos saudosos do regime Salazarista veio à superfície. A falta de responsabilidade social e a ganância de muitos empresários e associações patronais, alguns que ao longo dos tempos meteram ao bolso muitos milhões vindos da União Europeia, lançaram agora para o desemprego forçado muitos milhares de trabalhadores e querem aproveitar-se do momento difícil que vivemos, para aumentar a sua riqueza. Continuam a denegrir os serviços públicos, mas exigem ao Estado o não pagamento de taxas e impostos, a assunção pela segurança social das suas próprias obrigações de pagamento de salários, e até subsídios a fundo perdido, numa gigantesca operação de assalto aos dinheiros públicos.          Em contraste, há quem esteja a dar uma resposta extraordinária à pandemia do Covid 19 - o SNS e os seus profissionais, Médicos, Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares e Investigadores, que com enorme empenho e dedicação trabalham no tratamento dos infetados, e demais trabalhadores envolvidos na contenção do vírus. Para o Bloco de Esquerda faz especial sentido saudar, neste ano de 2020, todas e todos que têm dignificado uma das maiores conquistas de Abril, o Serviço Nacional de Saúde. As autarquias com a coordenação das autoridades de saúde, têm responsabilidades acrescidas no apoio às populações de forma a mitigar as consequências desta pandemia e dar respostas às questões sociais dela resultantes. Novas exigências se seguirão, mas cabe a cada um de nós, responsáveis políticos encontrar medidas para ultrapassar os novos desafios sem deixar ninguém para trás.                   Para o Bloco de Esquerda, os tempos que vivemos mostram, mais uma vez, a importância decisiva de serviços públicos de qualidade. Como a Constituição, nascida com o 25 de Abril nos indicou a Paz, o Pão, Habitação, a Saúde, a Educação, a Liberdade e a Democracia, só se conseguem concretizar com um papel mais activo do mundo do Trabalho e da Democracia Local.

 

25 de Abril Sempre, Fascismo nunca mais!

Porto, 25 de Abril de 2020

O Representante do Bloco de Esquerda.


Discurso da CDU

 

A Revolução de Abril de 1974

Hoje celebramos Abril num momento muito particular, mas com a certeza que o melhor estará para vir e que a luta do povo e a luta de todos o concretizará.

Em Campanhã, continua-se e continuar-se-á a celebrar a Revolução de Abril.

Em nenhum momento difícil da nossa vida como povo, mesmo com as maiores dificuldades e as mais profundas inquietações podemos deixar de celebrar esta Revolução colorida de cravos que emergiu numa madrugada inteira e limpa E se há momento em que o 25 de Abril não pode ser apagado é este.

Este é um tempo novo, em rutura com um passado fascista opressor de 48 anos. Um tempo novo que permitiu transformar a realidade e com ela mudar a forma de ver o mundo e a própria sociedade.

Foi com a Revolução que poucos anos depois, em 1979, cria-se o SNS e consagrar em lei esse direito universal que hoje alguns desvalorizavam, até há pouco tempo, e que agora defendem e que a pandemia de COVID 19 tem mostrado indispensável - um Serviço Nacional de Saúde Universal e Gratuito, que precisamos mais do que nunca valorizar e reforçar o investimento.

Foi com a Revolução que se consagrou outros de direitos sociais universais à educação, à segurança social, à cultura. Pelo fim ao domínio da economia cooperativista e monopolista. Que optou pelo fim de 13 anos de  guerra colonial.

Confrontou-se a Revolução desde muito cedo com a resistência de interesses económicos e muitas das suas realizações avançaram pouco ou caminharam para trás. Muitos não saíram do papel e muito há para fazer.

Neste tempo de incertezas e inquietações, seguir as portas  que Abril abriu fortalece-nos como povo e podem-nos ajudar a ultrapassar os problemas que anos de políticas de Direita negaram e que a atual situação epidémica agravou.

Neste tempo de incertezas e inquietações,  alguns regressaram a discursar as costumeiras receitas e pintando cenários distópicos, para justificar o injustificável  -  a exploração.

Os campanheses  não estão todos nas mesmas condições,  há os que estão em lay-off e no desemprego e os que trabalharam uma vida inteira e se confrontam com baixas reformas  por terem tido sempre baixos salários.

Os direitos não podem ficar em quarentena!

Precisamos de acelerar o investimento nos serviços públicos. Adquirir os equipamentos que o país carece, construir infraestruturas.

Precisamos de concretizar Abril e saudamos aqueles muitos que hoje e todos os dias, se encontram nos hospitais, nos serviços públicos essenciais, nas fábricas, no mar e nos campos deste Portugal e que nos assegure que o país não para e que todos os dias nada nos falte.

 

Viva o 25 de Abril!        Fascismo Nunca Mais!

25 de Abril de 2020 

  CDU Campanhã


{jatabs type="modules" module="ja_tabs" position="top" mouseType="click" animType="animFade"}{/jatabs}